Reflexões sobre o Silêncio


Hoje dia 2 de agosto de 2021, aparente retorno das atividades em toda sociedade brasileira, após uma pandemia de um vírus que ainda se move entre nós seria mesmo um retorno ou uma nova fase?

Neste suposto retorno voltei a ouvir o barulho da cidade ativa: o indo e vindo das pessoas, automóveis, viaturas, ambulâncias, motos sem os silenciadores deixando-se perceber por onde passam, aviões, helicópteros, drones... músicas de todos os tipos, o som do vento do mês de Agosto que ruge, o sino da igreja que toca, o assovio na boca do passante...

Em contra partida, o barulho interno: pensamentos movendo a velocidade da luz, através de seus neurônios e suas milhares de conexões, proporcionando um pulsar da vida, acelerando a corrente sanguínea, os batimentos cardíacos, tudo a fim de realizar as múltiplas tarefas do dia que só começou e não tem fim.

Pessoas correndo sem saber para onde ou o motivo disso, mas desenfreadas vão deixando-se viver, deixando-se passar os minutos, horas, dias, o tempo.

Então me questiono:

Onde cabe o silêncio neste movimento todo? 

E se cabe em algum lugar, para quê incluí-lo na dinâmica da vida?

O silêncio pode significar tantas coisas em uma só pessoa: pode estar ligado a um protesto, a elaboração de um pensamento, a dificuldade de compreensão, um desejo de não ser perturbado, uma forma de ignorar algo ou alguém, um mero desinteresse, um controle e até mesmo a uma perda de sentido; mas também pode significar o desenvolvimento da capacidade de ficar só.

E é sobre o desenvolvimento desta capacidade que desejo me aprofundar.

Este ¨ficar só¨ assusta muitas pessoas, pois há o encontro da vóz do silêncio em seu interior mais profundo, o que pode trazer decepções, levantar frustrações, angústias.  

Pode gerar ansiedade ou intolerância ao se deparar com seus próprios conflitos, levando o indivíduo a fugir desse encontro. Também evitar encontros com outras pessoas, sejam nas relações afetivas como um primeiro encontro amoroso, em uma roda de amigos, em uma reunião no trabalho ou na família.

O silêncio não necessariamente equivale a ausência de palavras, pois ele possui uma linguagem própria e sempre diz algo, logo, ele se comunica, recusa, insinua, aceita... 

Para interpretar e compreender o silêncio é necessário nos sintonizarmos com o outro que ora se interage (seja o outro, seja a si mesmo, seja o divino), um olhar sem julgamentos que não se conecta aos medos e fantasias. 

Nos casos onde surgem conflitos e o silêncio emerge o mais saudável é recorrer às palavras, para que a clareza e o equilíbrio ganhem espaço.

O silêncio é importante para nosso processo de desenvolvimento e evolução da consciência, no acesso ao cotidiano consigo mesmo e  com os sinais da vida, pois é ele quem nos conecta a nós mesmos através da voz silenciosa que exige um olhar atento e cauteloso para dentro de nós, que nos mostra o bem e o mal, a luz e a escuridão da alma, os sons e a vibração que nutre nosso corpo e emerge em nossas ações. Ou seja, o silêncio pode proporcionar o acesso ao nosso ser integral.

É ele o responsável em nos dar consciência do quem somos, do que sentimos, percebemos.

Nos momentos barulhentos da vida, sejam eles internos ou externos, o silêncio traz o efeito da liberação das tensões do cérebro e do corpo, possibilitando a busca pela homeostase e assim o corpo retorna a um fluxo natural.

A compreensão do silêncio cabe de maneira próxima a realidade nos permitindo viver uma vida dinâmica mais consciente do que somos e do que desejamos. 

Muitas vezes é necessário um tempo para que o silêncio aja e traga a tona seus efeitos e a uma compreensão. E aqui, cada caso terá seu tempo em específico, sua intensidade e profundidade.

Mas como saber quando o silêncio é necessário?

O silêncio é essencial ao bem estar, logo, quando sentir angústia, aflição ou qualquer descontentamento é o momento de buscá-lo a fim de acalmar e olhar a vida por um novo ângulo.

E como ter uma vida dinâmica mais saudável diante da perspectiva do silêncio?

Reservando momentos de silêncio diários em sua rotina, estabeleça um ritual, disponibilize horários para uma pausa para apenas ficar em silêncio e ouví-lo ecoando no mais íntimo barulho do seu ser, seja ele dentro ou fora de seu corpo.


Existe no silêncio uma tão profunda sabedoria 

que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta!

- Fernando Pessoa


🎶 👉 Ouça a íntegra aqui: 

🎶 aprox 6 min



Em breve: Vídeo com a Reflexão do Silêncio 

Em breve: Meditação do Silêncio 




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